segunda-feira, 16 de março de 2009

Música contemporânea: reflexo do pensamento moderno

Fui convidado para fazer parte de uma gravação de músicas de compositores atuais, alguns de nome já relativamente conhecido, outros recém-formados em algumas das academias mais conceituadas do país - USP e Unicamp, por exemplo. Não tive como recusar, pois era um projeto bem organizado, que não entraria em conflito com minhas obrigações musicais com a Sinfônica do Estado de São Paulo, onde trabalho, e com uma boa remuneração, que é benvinda nessas circunstâncias atuais - fim de reforma da casa + filha nova na área.
O trabalho vem sendo feito há mais de uma semana, mas não tenho como não pensar na distância abissal entre o que os próprios músicos acreditam, de fato, que seja música e aquilo que vem sendo "composto" atualmente, aquilo que parece ser o resultado da "evolução" musical empreendida ao longo das décadas do glorioso século XX. E falo isso como músico instrumentista, uma opinião partilhada com os colegas que estão gravando junto. Fico pensando como é que chegamos a isso e o que isso que estamos gravando tem a ver com a realidade que vivemos, que relação há entre essa "criação artística" e a vida. E o pior é que acho que, infelizmente, há uma ligação, sim, entre essa cultura destilada diretamente da Academia e a chamada "ditadura do relativismo" que respiramos nos dias de hoje. De uma certa forma, por mais torta que seja essa forma, esses compositores expõem, de forma clara e evidente a quem quer que se habilite a ouvir, a tradução em música da total falta de crença e a total impossibilidade de afirmação positiva de mais nada. Nesse rumo, pode-se perfeitamente dizer que há algo de "genial" naquilo... Mas que as aspas que cercam esse termo - genial - sejam bem percebidas, para que a relatividade tão atual do termo seja percebida em toda a sua exuberância

Um comentário:

  1. todas as outras modalidades de arte se encontram lesadas por essa sensibilidade dita 'pós-moderna' ou por essa vanguarda árida. mas no caso da música, por ser essa manifestação que nos atinge de modo tão imediato, deve doer mais perceber nela tal inversão estética de achar belo o que é, no mais das vezes, medonho ou afásico.

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