quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Un Mauvais Rêve (Georges Bernanos)

Sobre a tensão intergeneracional



Ganse: Et comme ils ne laisseront rien, aucun souvenir, étant la sterilité même, la posterité ne s'occupera pas de les classer, elle les rattacher bêtement aux types connus. Jusqu'à ce que des circonstances plus favorables permettent à la nature, qui ne se lasse jamais, de recommencer la tentative manquée car, en somme, ces gaillards-là, mon cher, ont eu seulement le malheur de venir trop tôt, dans un monde trop... que vou dirais-je... trop "pathétique" - voilà le mot. Pathétique, de pathein, souffrir. Le christianisme a beau se dissoudre peu à peu de lui-même, notre monde occidental n'arrive pas à éliminer les plus subtils, les plus venimeux de ses poisons. Tous ce gens n'ont l'air empressés que de jouir, mais ils ont quelque part, dans un coin secret de leur vie, un autel dédié à la souffrance. E s'ils courent après l'or - qui n'est en somme que le signe matériel de la jouissance, - c'est avec un reste de honte, parce que la Pauvreté - la sainte Pauvreté - leur en impose toujours. Les Mainville ont échappé, je ne sais comment, à cette sorte de fétichisme, à cette crasse millénaire. Et comme ils manquent incroyablement d'imagination poétique, la singularité de leurs destin ne leur apparaît qu'à peine, ils restent intacts, nets et lisses comme des salles de clinique, quoi!

G. Bernanos, Un Mauvais Rêve, Librio, 1998, p.70-71.

uma tradução amadora e quase literal:

Ganse: E como eles não deixarão nada, nenhuma lembrança, sendo a própria esterilidade, a posteridade não se dará ao trabalho de lhes classificar, ela os colocará junto aos tipos comuns. Até o ponto em que circunstâncias mais favoráveis permitam à natureza, que jamais se cansa, de recomeçar novamente após a tentativa fracassada pois, em suma, esses rapazotes atrevidos têm apenas a infelicidade de vir cedo demais a esse mundo tão... como poderia lhe dizer... tão "patético" - eis a palavra. Patético de pathein, sofrer. Por mais que o cristianismo se dissolva aos poucos, por si só, nosso mundo ocidental não consegue eliminar o mais sutil, o mais nocivo dos seus venenos. Toda essa gente aparenta ter uma disposição apenas para fruir, mas possuem algum lado, em um canto secreto de suas vidas, um altar dedicado ao sofrimento. E se eles correm atrás do ouro - que não é mais que o símbolo material da fruição - , o fazem com um resto de vergonha, que a Pobreza - a santa Pobreza - se encarrega sempre de lhes impor. Os Mainville têm escapado, não sei como, desse tipo de fetichismo, dessa sujeira milenar. E como eles sofrem de uma incrível falta de imaginação poética, e apenas a muito custo percebem a singularidade de seu destino, permanecem intactos claros e lustrosos como as salas de uma clínica, ora pois!


O trecho acima foi retirado de uma conversa entre M. Ganse, escritor já de idade avançada, e seu amigo médico, o psiquiatra Dr. Lipotte. O escritor sente-se como que ameaçado por um de seus secretários, o jovem Olivier Mainville, filho de uma mulher com quem Ganse teve um affair anos atrás - antes, segundo ele, que Olivier nascesse. Ele o tem como um protegido, mas percebe nele um ódio reprovador de tudo o que faz, e também de sua literatura.

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